Deise Laine Alves da Silva – 1º. Ano 8. E. E. M. Deputado Nagib Zattar – 2008.
Como uma águia
Eu morava em um lugar distante, de tudo e de todos, em uma ilha. Mas eu morava lá porque eu era diferente: tinha bico, asas e garras, poderia me transformar em um ser humano se quisesse, mas eu não o fazia, pois gostava de ser o que eu era.
Decidi migrar, como outros pássaros. E voei pelo mar aberto, por dias sem descansar muito.Até que avistei uma grande cidade, procurei um lugar seguro para pousar, uma mata fechada, uma nova caverna. Assim que posei, havia um bebê em meus braços, era meu filhote.
Eu o ensinei tudo o que havia de saber, como se alimentar e se cuidar, pois um dia eu iria ter que deixá-lo. Porém, um dia eu o deixei sozinho enquanto ia procurar alimento, ele saiu da mata e foi para a cidade. As pessoas, vendo-o, “aquele monstrinho”, queriam matá-lo! Eu o procurei desesperadamente, até que vi uma multidão e escutei meu filhote com muito medo. Meu sinal de alerta materno havia despertado. Enchi-me de força como uma águia e voei o mais rápido que pude, dei um grito como se a águia tivesse expondo toda sua fúria. Eu o resgatei da multidão.Voei com ele em meus braços para um lugar seguro; resolvi retonar para a ilha e criá-lo lá, com mais segurança. Mas isso foi apenas um sonho. Acordei e não sou um pássaro, sou uma mulher!
Escrito por Professor Fernando às 23h19
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Náufrago - Carlos Alexandre Bueno – 2º. 2
Abriu os olhos e não conseguia entender o que estava vendo. Uma praia deserta e pelo visto inabitada pelo homem. Tentou se lembrar do que tinha acontecido com sua mulher e seu filho e o navio onde passavam suas férias.
De repente viu vultos na mata. Correu em direção a eles e quando os encontrou descobriu que eram sobreviventes do desastre. Contaram-lhe a história do naufrágio. Enquanto estava ilhado e esperando socorro, via que vários corpos chegavam à praia trazidos pelo mar e os sobreviventes não sabiam para onde os marujos os levavam. Para sobreviver comiam sopa de gaivota e água de coco. Achou estranho, pois não via os marujos caçar as gaivotas.
Um mês depois chegou lá o resgate, João voltou para sua casa abalado pela perda de sua família. Certa vez em que estava passeando leu em uns cartazes: “sopa de gaivota”. Entrou no restaurante e pediu uma porção de sopa e após de ter acabado de comer a sopa sentiu que o gosto era diferente do que ele havia comido na ilha.
Tudo ficou claro, os marinheiros inventavam a história da sopa, mas na verdade eles comiam os corpos que chegavam trazidos pelo mar. Sabendo disso pegou seu carro e traumatizado se jogou de um penhasco para a morte.
Escrito por Professor Fernando às 23h15
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Enzo Henrique Gehlen – 2º. 1 – E. E. M. Deputado Nagib Zattar – 2008.
Doce escuridão
Abriu os olhos e não conseguia entender o que estava vendo. Do nada, naquele cômodo sombrio, surge uma bela moça, de pele branca, num vestido roxo. Lábios vermelhos e sensuais, os mais lindos que já vira, cabelos longos e negros, lisos.
Uma fascinação e um desejo o tomaram, quase tão forte quanto o medo que sentiu, quando, em sua visão periférica rapidamente olhou para o espelho pendurado na parede, ao lado da janela de onde a moça parecia ter fugido. Na imagem refletida não via a bela jovem.
Um impulso natural do ser humano, o ato de piscar os olhos, um segundo, foi o suficiente para a linda mulher em questão mover quatro metros. Como um espectro, uma alma de outro mundo. Esfregou os olhos para a tentativa de acordar, ou retornar os sentidos, a sã consciência.
Abriu um dos olhos lentamente; ela estava em sua frente, olhando exatamente para o fundo dos seus olhos. Estava tão perto que podia sentir a sua respiração quente. A sensação de pânico tomou conta de seu ser. Decidiu fechar os olhos de vez, até que se encontrasse salvo. Ela inclinou a cabeça para a esquerda e sorriu, mostrando seus caninos tão afiados quanto facas, que ultrapassavam o limite dos lábios inferiores.
Molhou os belos lábios quentes e macios encostando de leve em sua garganta. Sentiu uma esplêndida sensação de prazer, mas percebeu duas pontas duras; eram dos caninos da bela jovem. Como se congelasse todos os músculos de seu corpo, paralisaram, esperando.
Sentiu uma pequena sensação de formigamento no pescoço, e então sentiu os caninos perfurando sua pele. Ergueu a mão direita, e num tapa rápido e forte, matou o mosquito que zumbia no pescoço. Acordou agitado, movimentando o braço e as mãos em todas as direções. Colocou seu peso para a esquerda e quando percebeu estava no chão, havia caído da cama. Deitado no chão e com o coração acelerado abriu os olhos e entendeu que era um sonho.
Escrito por Professor Fernando às 14h43
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Caroline Neres, 1º ano 2. – E. E. M. Deputado Nagib Zattar – 2008.
Maldita Elisabete
O que pôs tudo a perder em minha vida, foram aqueles cinco minutos em que deixei meu ódio me cegar, e minha mão trêmula, por vingança, apertou o gatilho, fazendo disparar o revólver, e a bala foi diretamente no coração de Elisabete.Tudo seria diferente se ela não tivesse atravessado meu caminho, se não tivesse acabado com minha vida para se dar bem.
Meu casamento estava marcado com Roberto, nosso amor era grande e verdadeiro, ao menos era isso o que eu pensava. Elisabete era minha amiga, sempre saíamos juntas, e ela vivia em minha casa. Roberto não se importava e até gostava que eu tivesse amizades, gostava até demais. Com o tempo percebi a troca de olhares, conversa e risinhos entre eles, mas não liguei.
Chegou o dia de meu casamento, eu estava pronta para entrar no altar, quando Roberto chegou com Elisabete, dizendo que não haveria mais casamento, que ele iria casar-se com ela, e que os dois teriam um filho. Naquele momento o chão desmoronou sob os meus pés. Fiquei desnorteada, só pensava em vingança. Fui até a minha casa e peguei o revólver de meu pai e saí à procura dos dois traidores. Encontrei-os no restaurante em que Roberto sempre me levava. Ele com medo que eu fizesse um escândalo, me levou até o estacionamento. Elisabete também foi. Naquela hora nada mais importava, peguei o revólver e disparei em Elisabete. Roberto veio para cima de mim e pegou a arma. Eu não resisti, estava imóvel, observando o corpo cair já sem vida no chão, e o sangue jorrava. As lágrimas começaram a brotar de meus olhos.
Escrito por Professor Fernando às 14h37
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Bruna Da Silva Gomes - 2º ano 2. – E. E. M. Deputado Nagib Zattar – 2008.
Azar no amor
Abriu os olhos e não conseguia entender o que estava vendo...Um quarto vazio, uma bagunça tremenda; roupas pelo chão, vasos quebrados, papéis de doces e farelos de comida. O que houve com Helen na noite passada e nos últimos dias?
Havia passado a noite ali, no apartamento de André, uma noite que parecia reconciliação; beijos, amor, verdades. Ele a levou ali para uma conversa, sussurros e palavras doces, tanto carinho enquanto uma música romântica rolava ao fundo. Ele não precisou falar muito, ela já sabia; enquanto tocasse uma música que lembrassem um ao outro, eles se amariam.
Agora ela estava arrependida, acordar na cama de André sabendo que ele só fala da boca pra fora. Sozinha na cama, nua e sem sinais dele. Não entendia nem como fora parar ali, lugar mundano de noites inebriadas por festas com mulheres. Muitas deles.
Levantou-se, vestiu-se, tomaria banho quando chegasse em casa, queria tirar do corpo o cheiro dele. Estava preste a sair quando ele entrou pela porta do apartamento; e, vendo-a pronta, perguntou:
- Oi! Aonde você vai?
- Embora, claro - Respondeu Helen com cara de poucas amigas.
- Por quê? Fica mais um pouquinho.
- Pra quê? Para você continuar me usando? Não, obrigada – Helen passou por André e saiu do apartamento.
Sem que ela chamasse ou quisesse, uma lágrima desceu de um olho. Uma amiga, ela precisava de uma amiga! Já fora passada pra trás, traída, tratada como qualquer por muito tempo. Mas suas amigas não a traiam, eram como ela, 30 anos, todas trabalhavam em escritório, bonitas, inteligentes e independentes.
Tocou a campanhia do apartamento de sua amiga Juliana pensando no único homem com quem namorou por seis meses; não teve muitos motivos para se separar dele...Bem que eles poderiam se encontrar novamente, e melhor se fosse por acaso. Tocou a campanhia novamente e Juliana abriu, em uma camisola branca e curta.
- Oi amiga! Que surpresa, o que houve? – Perguntou Juliana um pouco nervosa.
- Tenho que conversar, me abrir com alguém.
E, após falar isso entrando no apartamento de Juliana, Helen viu ele, bem ali, sentado no sofá tomando um café. Alex, seu ex-namorado com quem ficou seis meses, vestia apenas cueca e uma camisa.
- Oi Helen – Ele disse tímido.
- Ah! Acho que não cheguei em uma boa hora – E olhou para Juliana – E você? Você é minha amiga, sabe que eu ainda pensava nele...
- Sim, desculpa, mas acho melhor conversarmos sobre isso depois, Helen.
- Claro, agora você tem aproveitar ele – E, dando as costas, Helen saiu do apartamento de Juliana.
No caminho para casa, enquanto esperava um táxi, começou a chover forte. O motorista do táxi cobrou a mais pelo banco molhado. Era um sábado e ela o ia passar em casa, pensando no azar que teve em poucas horas.
Na verdade, nenhum romance era com ela mesmo... a tal ponto que já desistiu de se casar, mas ainda quer ser mãe. Mas de quem, sendo ela tão azarada no amor?
Escrito por Professor Fernando às 23h38
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Conto Fantástico: A Vida Flui Loucamente – Professor Fernando Ricardo.
Já era noite e eu continuava ali, ainda um pouco molhado de meu banho refrescante que eu havia tomado há minutos. Pensava na vida e como ela nos prega peças. Acho que eu dormi, não sei ao certo, mas os minutos que se passaram após meu despertar foram os mais horríveis que alguém poderia passar. Imaginem! Ouvi um barulho horroroso e vi uma luz tão densa entrar pelas janelas que quase fiquei cego. Apavorado e quase desfalecido, tentei identificar o que era. Foi quando perdi os sentidos. Desmaiei como uma árvore imensa morta pela moto serra caindo rapidamente por entre as outras. Mas também, com o que vi entrando pela porta de minha casa, ninguém merecia aquilo.
E eu que sempre fui cético vi minhas verdades sufocadas ao avistar tamanha barbaridade. Pois meus olhos que a terra nunca comerá quase saltaram das órbitas, pois vi um ser enorme, com olhos terríveis, de cor azul e que andava com os pés para trás e em seguida observei que havia vários deles ao redor da casa. Eu só pensei: Por que isso está acontecendo? - E caí desmaiado novamente. Ao recobrar os sentidos vi que a casa estava toda revirada, cheia de rastros de uma substância indescritível e não vi ninguém além de mim na casa. Da janela pude ver a nave das criaturas subir aos céus e sumir. Parei, analisei e pensei que aquilo iria me torturar para todo o sempre, pois eu jamais conseguiria esquecer daquilo.
Até hoje fico pensando por que um prato de porcelana como eu que estava no aparador de louças esperando ficar seco do meu banho teve que ter aquela experiência tão avassaladora e conclui que eu estava no lugar errado e na hora errada. Hoje, eu, meus parentes e amigos temos que fazer terapia de grupo dentro do armário para não enlouquecer porque cada luz que brilha mais forte na janela da cozinha é um deus nos acuda. Já perdi a conta de quantas vezes perdi os sentidos. Mas a vida continua fluindo loucamente.
Autor: Professor Fernando Ricardo - 21/02/2003.
Escrito por Professor Fernando às 15h14
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